Desenvolvimento

atividade1

      Em todos os estágios, a construção da inteligência se dá pela atividade e essa construção é entendida em termos de significação. A inteligência constrói significações e estas dão sentido ao mundo.

      A significação é dada na interação do sujeito com o meio (físico, social e simbólico) quando coloca em ação seu sistema de significações.

      Por essa ação, o sujeito transforma o meio e através das transformações que efetua, transforma-se a si mesmo, ou seja, há um contínuo processo de construção, auto-regulação e auto-equilibração.

      No desenvolvimento das estruturas de conhecimento, a criança passa de um nível de interação sensório-motora para um nível de representações operatórias.

Período pré-operatório (2 a 7 anos)

      Para Piaget, é o aparecimento da função simbólica ou semiótica, ou seja, a manifestação da linguagem que marca a passagem do período sensório-motor para o pré-operatório.

      Nessa concepção, a inteligência é anterior à manifestação da linguagem e por isso mesmo “não se pode atribuir à linguagem a origem da lógica, que constitui o núcleo do pensamento racional” (Coll e Gillièron, op.cit.).

      Segundo os estudos de Piaget, a linguagem é considerada como uma condição necessária, mas não suficiente ao desenvolvimento, pois existe um trabalho de reorganização da ação cognitiva que não é dado pela linguagem, conforme alerta La Taille (1992). Em uma palavra, isso implica entender que o desenvolvimento da linguagem depende do desenvolvimento da inteligência.

      Porém, conforme demonstram as pesquisas psicogenéticas (La Taille, op.cit.; Furtado, op.cit., etc.), o aparecimento da linguagem ocasiona modificações importantes em aspectos cognitivos, afetivos e sociais da criança, uma vez que ela possibilita as interações interindividuais e fornece, principalmente, a capacidade de trabalhar com representações para atribuir significados à realidade.

      Tanto é assim, que a aceleração do alcance do pensamento neste estágio do desenvolvimento, é atribuída, em grande parte, às possibilidades de contatos interindividuais fornecidos pela linguagem.

      Contudo, embora o alcance do pensamento apresente transformações importantes, ele caracteriza-se, ainda, pelo egocentrismo, uma vez que a criança não concebe uma realidade da qual não faça parte, devido à ausência de esquemas conceituais e da lógica.

      Para citar um exemplo pessoal relacionado à questão, lembro-me muito bem que me chamava à atenção o fato de, nessa faixa etária, o meu filho dizer coisas do tipo “o meu carro do meu pai”, sugerindo, portanto, o egocentrismo característico desta fase do desenvolvimento.

      Neste estágio, embora a criança apresente a capacidade de atuar de forma lógica e coerente (em função da aquisição de esquemas sensorial-motores na fase anterior) ela apresentará, paradoxalmente, um entendimento da realidade desequilibrado (em função da ausência de esquemas conceituais), conforme salienta Rappaport (op.cit.).

Sendo assim as principais características desse estágio são:

  • A criança demonstra-se egocêntrica, centrada em si mesma, e não consegue se colocar, abstratamente, no lugar do outro;
  • Não aceita a idéia do acaso e tudo deve ter uma explicação (é fase dos “por quês”);
  • Já pode agir por simulação, “como se”;
  • Não discrimina detalhes, sua percepção é global;
  • Não relaciona os fatos, se deixa levar pela aparência.

Veja Anexos.

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